Mundial 2018

Portugal no Mundial:
– 15/06/2018, 19:00, sexta-feira, Portugal-Espanha;
– 20/06/2018, 13:00, quarta-feira, Portugal-Marrocos;
– 25/06/2018, 19:00, segunda-feira, Portugal-Irão.

Rally de Portugal

A Junta de Freguesia de Fafe deseja um excelente Rally de Portugal aos pilotos fafenses Mário Castro, Luís Costa e Hugo Magalhães e à equipa PT Racing.

16 DE MAIO

Fafe está a viver, por estes dias, momento alto do evento, com a realização do concurso pecuário e da corrida de cavalo a passo travado, as tradicionais Feiras Francas de Maio, com um programa rico e variado, que alia as reminiscências do passado à contemporaneidade. E enquanto aquelas se corporizam em manifestações musicais folclóricas e de raiz popular, esta inclui a exibição de Dj´s.
As feiras são conhecidas em Portugal desde a Idade Média. Entre as suas múltiplas funções, ressalta a económica, que consistia na localização, em prazos e termos determinados, de produtores, consumidores e distribuidores, corrigindo assim a falta de comunicações fáceis e rápidas nessa longínqua época. Alguns privilégios foram atribuídos, desde o início, aos que as frequentavam. A partir do reinado de D. João I, generalizam-se as feiras francas, nas quais os feirantes gozavam da isenção do pagamento de direitos fiscais.
Estamos, por conseguinte, a falar de um tempo em que a agricultura e a criação de gado eram dominantes no contexto do Portugal rural, da Idade Média à Contemporânea, situação que se manteve até há bem poucas décadas, quando os sectores secundário e terciário da economia sobrepujaram largamente o primário, o que ainda se mantém.
Por conseguinte, as feiras francas, como espaços de isenção de impostos para facilitar as trocas comerciais no terreno, são um pouco uma realidade que corresponde a um tempo que é já passado. Por isso, e até porque a realidade económica e social que lhe deu substância foi desaparecendo, é que se assiste nos nossos dias a uma reinvenção programática destes certames, a que Fafe obviamente não escapa, nem poderia escapar.
Ao contrário das festas e romarias, que vão mantendo o seu tradicionalismo activo, compreendido e aceite pelos romeiros, as feiras, pelo menos nas suas características ancestrais, são já sinais de que essa realidade está fora do tempo, impondo-se por isso uma permanente actualização, para que não percam o seu interesse.
No caso de Fafe, há referências a feiras desde pelo menos o século XVIII, na então Vila e em freguesias.
A feira franca aparece numa provisão de D. João V, durando um dia, no início de cada mês, no terreiro da cadeia, comerciando-se “gados, porcos, e toda a mais mercancia e mercearia”. Pouco depois, já era referida uma feira franca anual em 21 e 22 de Agosto, “a que chamão feyra do linho por ser a especie que mais se nella vende”, como rezam os documentos.
Em finais do seculo XIX (1886), o escritor José Augusto Vieira, na obra Minho Pitoresco, faz referência concreta ao 16 de Maio, como feira franca, de gado. Quando começou a realizar-se essa feira franca, que ainda hoje vigora, desde há um século coincidente com o feriado municipal, e que em tempos era apelidada “feira das cavalgaduras”, por ser esta espécie animal muito comercializada, é que não sabemos ao certo, embora tenha sido algures no século XIX.
Passado mais de um século, as feiras francas de 16 e 17 de Maio são ainda hoje um apreciado cartaz turístico que anualmente se repete, com dois números obrigatórios e incontornáveis – o concurso pecuário e a corrida de cavalos, a 17 de Maio – que trazem à cidade milhares de assistentes. Nos últimos anos, a esses dois dias tradicionais, juntam-se mais dois ou três para diversificação e enriquecimento do programa.
Há algumas décadas, nos anos 60, um conhecido autor local, Inocêncio Carneiro de Sá, publicou um texto sobre o acontecimento, que achamos de interesse reproduzir:
A Feira Franca, que se realiza em Fafe, nos dias 16 e 17 de Maio de cada ano, é de tradição muito antiga.
A sua fama de tal modo se espalhou, na marcha dos decénios, que a sua data é conhecida em todo o País, razão pela qual a ela concorrem os negociantes ambulatórios de todas as terras do norte, especialmente
A multidão de tendeiros, barraqueiros, circos e divertimentos de toda a ordem, invade os largos da Vila, animando o Povo e dando a esta localidade o movimento e o bulício das terras de grande expansão e dilatada superfície.
Duas competições se realizam, que atraem sobremaneira o povo e fazem juntar milhares de espectadores: as Corridas de Cavalos e o Concurso Pecuário.
Na corrida de cavalos aprecia-se a velocidade dos equídeos, que executam o seu longo percurso travados; e para excitação da hilaridade popular, surge no fim o tradicional jerico, que, tal como o carro da vassoura, em corridas de bicicletas, ganha o prémio da lentidão, chegando à meta fora de horas, porque sempre foi alérgico à camisola amarela…
E no Concurso Pecuário admiram-se os famosos exemplares de gado bovino, a cuja competição afluem os tratadores proprietários de terras muito distantes de Fafe.
Tudo isto, à mistura com exibições de pirotécnicos e a melodia das Bandas de Música, ilustram a feira, que adquire os aspectos de grande solenidade.
Este panorama mantém-se, nos seus traços gerais, ainda nos nossos dias, embora adaptadas aos novos tempos económicos e sociais.
As feiras francas da actualidade trazem atrás de si uma considerável parafernália comercial, concretizada nos carrosséis e atracções de toda a espécie, voltados para as crianças e os jovens, barracas de farturas e de comes e bebes, tendas de bijutarias, de discos e brinquedos que se instalam na cidade nos dias imediatamente anteriores e posteriores às festividades. Certo é que ninguém lhes fica indiferente: ou porque goste da folia e das corridas de cavalos, ou porque deteste o barulho às vezes ensurdecedor debitado pelos divertimentos.
Mantendo características que perduraram até aos últimos decénios, ligadas à ruralidade, as feiras francas vão-se adequando aos novos tempos, harmonizando a tradição e a modernidade, de forma a sobreviver como espaço necessário e cíclico de realização social.
Obviamente que não faltam os espectáculos musicais de todo o género, mais populares ou voltados mais para a juventude, como acima de referiu, e que outrora eram quase um exclusivo das bandas filarmónicas locais, ao longo dos dias da sua duração.
De registar que o prato típico das feiras francas de Maio é a famosa vitela assada, enquanto o cabrito assado é a iguaria das Festas do Concelho em honra de Nossa Senhora de Antime, que se realizam anualmente em Fafe no segundo fim de semana de Julho.
Uma nota final ainda para o feriado municipal, e que em Fafe é a 16 de Maio, exactamente amanhã.
Os feriados municipais foram uma criação da Primeira República, através de um decreto do Governo Provisório de 13 de Outubro de 1910, uma semana depois da instauração do novo regime. Aí se previam os principais feriados nacionais e a possibilidade de as municipalidades decidirem a criação de um feriado municipal, “escolhendo-o de entre os que representam as festas tradicionais e características do município”.
Em Fafe, começou por ser o dia 1º de Maio, durante alguns anos, seguindo-se logo o 16 de Maio, que se manteria como feriado municipal, com um pequeno interregno, até aos dias de hoje.
(Texto de Artur Coimbra)