Armistício

Comemorou-se este domingo, 11 de Novembro, o armistício que pôs fim à sangrenta I Guerra Mundial, que havia começado em 28 de Julho de 1914 e se desenrolou até 1918.
O “Armistício de Compiégne” entrou em vigor às 11 horas de 11 de Novembro (11ª hora do 11º dia do 11º mês) do ano de 1918.
A primeira grande catástrofe mundial levou a mais de 8 milhões de mortos, número nunca antes atingido em guerras.
Portugal mobilizou para as várias frentes mais de 100 mil militares. No total da I Guerra Mundial, terão morrido mais de 8 mil jovens que nela foram obrigados a participar, sendo que de Fafe faleceram 36 soldados, sendo 19 na Europa, 11 em Moçambique e 6 em Angola.
Obviamente, que por estes dias, há um século, a alegria foi imensa, os festejos prolongados.
O mundo respirava outra vez a alegria e a paz, embora a destruição obrigasse a anos de trabalho de reconstrução dos países europeus mais atingidos.
Pelo país, multiplicaram-se nos anos seguintes memoriais de homenagem aos soldados mortos no primeiro conflito mundial.
A grande memória histórica relativa à I Guerra Mundial na cidade de Fafe é o Monumento aos Mortos da Grande Guerra.
O monumento que perpetua a memória dos soldados fafenses que tombaram naquela hecatombe que se desenrolou nos palcos de África (Angola e Moçambique) e da Europa, sobretudo em França, está localizado no “coração” da cidade, na Praça 25 de Abril, e é o mais antigo dos monumentos de que a cidade de Fafe dispõe.
Os preparativos para a sua construção remontam ao ano de 1920, dois anos após o término do conflito, quando a Câmara Municipal – na sequência de um apelo lançado pela Junta Patriótica do Norte, em 30 de Julho de 1919 – deliberou delegar numa comissão de ilustres fafenses o patriótico encargo de levar a efeito a perpetuação da memória dos filhos desta terra que morreram nos campos da batalha de África e França.
O auto de colocação da primeira pedra ocorreu no dia 17 de Maio de 1931. Menos de dois meses após a adjudicação, o monumento foi inaugurado com a maior pompa e circunstância, no dia 12 de Julho de 1931, pelas 16 horas, no âmbito das Festas em honra de Nª Sª de Antime.
O padrão, quadrangular, da autoria de Manuel Maria Marques dos Reis, tem 6,80 metros de altura, sendo construído em diversas qualidades de mármore. A placa principal, representando um soldado ferido mortalmente (da autoria do escultor Zeferino Couto), bem como a cruz de Cristo que encima o monumento, são em bronze, para maior valorização do mesmo.
Nos quatro lados do monumento, a meia altura, estão inscritos os nomes de locais das principais batalhas da Guerra de 1914-18: La Lys, Fauquissart, La Couture, Neuve-Chapelle, Chapigny (todas em França), Naulila, Nevala, Negomano e Rovuma (em África).
A toponímia local ainda hoje mantém referências a esse período, como a “Rua dos Aliados” e a “Rua dos Combatentes da Grande Guerra”.

Artur Coimbra