Curiosidades

Hino de Fafe

A nossa terra é formosa

Como ela não há igual

É a mais perfeita rosa

Das terras de Portugal/

Terra formosa que as mais

Escureces com tantos brilhos

Viste nascer nossos pais

Verás nascer nossos filhos/

CORO: Fafe querido és sem favor

Jardim florido do nosso amor

Ergue-te tanto a nossa voz

És o encanto de todos nós

Se o Minho é terra de fama

Duma estranha sedução

Esta terra que a gente ama

É do Minho o coração/

Terra de sol e de flores

De risos e de alegrias

És berço dos meus amores

E das lindas romarias

Escrito por Euclides de Sotto Mayor, com música de José Maciel.

 

A lenda da Justiça de Fafe


Justiça de Fafe

A lenda da Justiça de Fafe é uma apologia da justiça popular. Um dos maiores símbolos referenciais de Fafe, é vista como o espírito e o verdadeiro ex-libris desta localidade, e foi celebrada por um monumento na cidade.

A versão mais difundida desde o início do século XIX foi objecto de um longo poema de Inocêncio Carneiro de Sá, o Barão de Espalha Brasas. Narra um episódio, registado no século XVIII e protagonizado pelo Visconde de Moreira de Rei, político influente no concelho e homem de bem mas não de levar afrontos para casa.

Deputado às Cortes, terá chegado atrasado a uma sessão daquele órgão monárquico, no que terá sido censurado grosseiramente por um marquês, também deputado, que chegou ao desplante de lhe chamar “cão tinhoso”. O visconde fingiu não ouvir o impropério e mostrou-se tranquilo durante a sessão mas, finda aquela, interpelou o marquês petulante, repreendendo-o pelas palavras descorteses que lhe havia dirigido. Em vez de lhe pedir desculpa, este arremessou-lhe provocadoramente as luvas no rosto, convocando-o para um duelo.

Ao ofendido competia escolher as armas, e quando todos pensavam que iria preferir espadas ou pistolas, como era usual na altura, o visconde apresentou-se para o recontro munido de dois resistentes varapaus. O marquês não sabia manejar esta arma grosseira mas o visconde, perito na arte do jogo do pau, tradicional nesta região, espancou o seu opositor. À gargalhada perante o acontecimento, os populares que presenciavam não se contiveram e gritaram: “Viva a Justiça de Fafe!“.

Outra versão narra as consequências de um pedido de casamento por parte dum lisboeta. Mas quando o noivo se recusou a casar, o pai da rapariga perseguiu-o e aplicou-lhe a Justiça de Fafe.

O Monumento à Justiça de Fafe, evocativo desta tradição e da autoria de Eduardo Tavares, foi inaugurado em 23 de Agosto de 1981 na rua João XXIII desta cidade. Consiste em um estátua com a particularidade de representar um homem a bater noutro com um pão (e não uma vara) e foi colocada nas traseiras do tribunal de Fafe, insinuando que quando a justiça oficial não funciona, a mão popular apresenta-se. 

A Cidade de Fafe 

Fafe é uma cidade de onde são naturais os Fafenses, situada no Distrito de Braga, Região e sub-região do Ave (uma das sub-regiões mais industrializadas do país), com uma população de mais de 15 000 habitantes, com uma área urbana de 7,50 km², correspondente à freguesia com o mesmo nome e com uma densidade populacional de 2093,7 hab/km².

É sede de um município com 219,08km² de área e 50.633 habitantes (2011).

Como qualquer outro concelho do Vale do Ave, Fafe teve grande propensão para a emigração. Na realidade, o século XIX marcou as terras de Fafe, sobretudo com a forte incidência emigratória para o Brasil, na época a terra mais apropriada, à procura de fortuna. Muitos destes emigrantes transportariam para Fafe as suas economias (muitas) aplicando-as na construção de belos edifícios e palacetes.

Os anos sessenta marcaram outra fase de grande emigração, nomeadamente na corrida para os países da Europa onde a mão-de-obra era escassa – Alemanha, França, Bélgica, Suíça e Luxemburgo. Em menor escala, a África do Sul, o Canadá e a Venezuela receberam emigrantes destas terras, ainda que para o Brasil se fossem registando amiudadas deslocações. O movimento emigratório operou grandes transformações nos “usos e costumes” dos Fafenses, de um modo particular no pensamento, na economia e na cultura, que permitiu um significativo progresso no crescimento económico, fruto das transferências de capitais e sua aplicação.

Estas mudanças e a “importação” de culturas e pensamentos diferentes, operaram realizações de vulto, sendo disso um bom exemplo a têxtil do Bugio e a Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, que ao tempo, foram pioneiras em organização, gestão e produção, constituindo grandes pólos de emprego e riqueza local, bem como grande atracção demográfica, na medida em que na freguesia de Fafe se instalou gente de diversas zonas do concelho e de concelhos vizinhos. Graças à instalação da têxtil, o concelho sentiu o crescimento da sua riqueza e, por conseguinte, viu melhorar o poder económico das famílias.